Coyote Dick

Eu ri muito quando li essa história. É de rolar de rir. Também é do livro da Clarissa, Mulheres que correm com os lobos.

Mas atenção ! É uma história para adultos!!!!!

Coyote Dick
"Creio que as piadas que Baubo contou a Deméter eram piadas de mulheres a respeito desses belos transmissores e receptores: os órgãos genitais. Nesse caso, talvez Baubo tenha contado a Deméter uma história com a que se segue, que ouvi há alguns anos de um administrador de estacionamento de trailers em Nogales. Seu nome era Old Red e ele alegava ser de origem indígena.

Ele não estava usando sua dentadura e não se barbeava há alguns dias. Sua esposa simpática, Willowdean, tinha o rosto bonito porém castigado. Ela me disse que havia uma vez quebrado o nariz numa briga de bar. Eles possuíam três Cadillacs, nenhum funcionando. A mulher tinha um Chihuahua que mantinha preso num cercadinho na cozinha. Ele era o tipo de homem que não tira o chapéu nem quando está sentado no vaso sanitário.

Eu estava recolhendo histórias e havia chegado ao seu território com meu pequeno trailer Napanee.
— Vocês conhecem algumas histórias típicas dessa região? — comecei, querendo dizer sua terra e redondezas.

Old Red olhou para a mulher com um sorriso matreiro e frouxo e a provocou, debochado.
— Vou contar para ela a história de Coyote Dick.
— Red, não conte essa história para ela. Não vá me contar essa história.
— Vou lhe contar a história de Coyote Dick de qualquer jeito — afirmou Old Red.
Willowdean pôs as mãos na cabeça e falou direto para a mesa.
— Red, não conte essa história. Estou falando sério.
— Vou contar, e é agora mesmo, Willowdean.
Willowdean sentou-se de lado, com a mão tapando os olhos como se tivesse ficado cega.

Eis a história que Old Red me contou.

Ele disse que a havia ouvido "de um índio navajo, que a havia ouvido de um mexicano, que a havia ouvido de um hopi".

Era uma vez Coyote Dick, e ele era tanto a criatura mais esperta quanto a mais tonta que jamais se podia esperar encontrar. Ele estava sempre querendo comer alguma coisa, sempre trapaceando as pessoas para conseguir o que queria e, em qualquer outra hora, estava dormindo.

Bem, um dia quando Coyote Dick estava dormindo, seu pênis ficou realmente entediado e resolveu abandonar Coyote para viver sozinho uma aventura. Foi assim que o pênis se soltou de Coyote Dick e saiu correndo pela estrada. Na realidade, ele pulava pela estrada afora já que possuía só uma perna.

E ele foi pulando e pulando, e se divertindo até que saltou da estrada e entrou na floresta, onde — Ah, não! — ele pulou direto numa moita de urtigas.
— Ai! — gritou ele. — Ai, ai, ai! — berrou ele. — Socorro! Socorro!

0 barulho dessa gritaria toda acordou Coyote Dick e, quando ele estendeu a mão para dar partida no coração com a manivela, como de costume, viu que ela não estava mais lá. Coyote Dick saiu correndo pela estrada, segurando-se no meio das pernas, e afinal encontrou seu pênis passando pela maior dificuldade que se pudesse imaginar. Com grande delicadeza, Coyote Dick tirou seu pênis aventureiro do meio das urtigas, acarinhou-o, tranqüilizou-o e o devolveu ao seu lugar certo.

Old Red ria como um louco, com acesso de tosse, olhos saltados e tudo o mais.
— Essa é a história do velho Coyote Dick.
— Você se esqueceu de contar o final — repreendeu-o Willowdean.
— Que final? Já contei o final — resmungou Old Red.
— Você se esqueceu de contar para ela o verdadeiro final da história, seu porcaria.
— Ora, se você se lembra assim tão bem, então conte você mesma.
— A campainha tocou e ele se levantou da cadeira desconjuntada.
Willowdean olhou direto para mim, e seus olhos cintilavam.
— O final da história é a moral. — Nesse instante, Baubo apoderou-se de Willowdean, pois ela começou a dar risinhos, a rir abertamente e afinal a gargalhar tanto, e até com lágrimas, que levou dois minutos para conseguir dizer as duas últimas frases, já que repetia cada palavra duas ou três vezes enquanto tentava recuperar o fôlego.

— A moral é que, mesmo depois de Coyote Dick sair do meio das urtigas, elas fizeram seu pau coçar feito louco para todo o sempre. E é por isso que os homens estão sempre chegando perto das mulheres e querendo se esfregar nelas com aquele olhar de "Estou com uma coceira". Pois é, aquele pau universal está coçando desde a primeira vez que fugiu do dono.

Não sei o que deu em mim, mas ficamos ali sentadas na cozinha, rindo aos guinchos e batendo na mesa até praticamente perdermos o controle dos músculos. Depois, a sensação me pareceu semelhante àquela de ter comido um bom pedaço de raiz-forte.

Leia outra história que fala da Deusa Baubo AQUI.
Leias as outras histórias do livro da Clarissa AQUI.
Leia mais sobre o livro da Clarissa AQUI.

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