NA MÍDIA-João Rossi


Apresentação do gravurista João Rossi para a minha primeira exposição de pinturas, em 1990.

Lúcida e sensível, Andréa é uma autodidata da comunicação visual. Há pouco tempo, ainda, se lançou a aventura da imagem - forma, cor, matéria-prima, percepção pura: expressividade transbordante.
Ao referir-me à aventura, penso no aventurismo que assolou a vida de grandes mestres das comunicações visuais. Foram eles autodidatas ou tiveram um extenuante aprendizado acadêmico?! Isso, enquanto indagação, daria margem para defesa de tese do mais alto nível, que não alteraria, contudo,a importância da operação visual sensível e criativa, isto é, o pico máximo do manifesto que alguns artistas souberam sublimar.
Os poucos trabalhos de Andréa, produzidos durante sua curta fase inicial, não foram substancialmente significativos para se estabelecerem vícios ou condicionamentos e imposições de pseudo aprendizagem motriz ( meros exercícios de mecanicidade não vivenciada).
Com apenas 24 anos, bem nova ainda, André compreendeu o real valor da pesquisa da forma à luz da dinâmica lúdica. Uma fase nova, perceptiva e sensível está acontecendo em sua programação visual agora.
Nesta mostra, vamos encontrar alguns lances dessas imagens lúdicas. Composições integradas e bem tramadas substituíram as pouquíssimas imagens da velha temática inicial.
Sua dinâmica irá beneficiar seus trabalhos atuais que brotam com grandes espontaneidade, completamente descompromissados do pública e da crítica.
Isso é bom. Prossiga!"


João Rossi
Novembro 1990


Minha própria apresentação em minha primeira exposição de pintura.


Paulista, autodidata.
A pintura se apresentou na minha vida espontaneamente, como um prazer compensador para a agonia e a urgência da cidade. A partir desta experiência individual, as tintas e as telas foram se expandindo nas minhas mãos e tornaram-se parte de mim, interagindo com o outro e com o espaço.

Os quadros passaram a ter vida própria, cada um contando um momento diferente, um caso à parte da minha consciência.

Numa época onde a complexidade e a fragmentação são a tônica, volto-me à preparação para o mundo do século XXI, e busco a simplicidade de linhas e composição. Pesquiso a força das cores e do movimento - mais do que isso - o ritmo dos sentimentos. Através das cores e movimento traduzo sensações e sentimentos do homem moderno. Catando pedacinhos aqui e ali, para formar o homem inteiro, sensível e sensitivo. Trazer à tona o lado humano tão esquecido e escondido.

Interação do homem com o outro, com espaço, com o tempo. O mundo visto pelas lentes da sensibilidade humana.

Esta não é uma preocupação nova. Na verdade, é mesmo a preocupação mais antiga da Humanidade. Não perder a humanidade.

Novembro de 1990

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